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quarta-feira, 25 de abril de 2012

A obra de François Dosse no Brasil

Depois de um período relativamente considerável a obra de François Dosse começa a ser traduzida com maior regularidade no Brasil. Após a publicação de A história em migalhas em 1992 e de História do estruturalismo, em 1993, o primeiro volume, e no ano seguinte o segundo, pela Editora Ensaio, a Edusc relançou o primeiro em 2003, na edição revista e ampliada pelo autor, e em 2007 o segundo. Na sequência foram publicadas as traduções de: A história (2003); O império dos sentidos (2003) e História e Ciências Sociais (2004). Já em 2001 a Editora Unesp lançava A história a prova do tempo; em 2009 a Edusc lançou O desafio biográfico e em 2010 a Artmed lançou Gilles Deleuze e Felix Guatarri: biografia cruzada. Muito embora o avanço na tradução da obra deste autor seja visível nos últimos anos, não contamos com traduções das obras: Pierre Nora: homo historicus (2011); Historiographies - concepts et debats (2010, em 2 volumes, organizados por Dosse e Delacloix); Historicites (2009, organizada por Dosse, Delacloix e Garcia); Paul Ricoeur - les sens d'une vie (2008); Paul Ricoeur et les Sciences humaines (2007); Michel de Certeau - le marcheur blesse (2007); La marche des idees (2003); L'instant eclate (1994), dentre outros. Assim, ao se comemorar o maior dinamismo do mercado editorial em relação a este autor (e a outros autores estrangeiros), é preciso chamar a atenção para a necessidade de tradução de toda a obra, de preferência seguindo minimamente a sua produção em ordem cronológica, visto que especialmente para os iniciantes na área, o resultado de traduções que não seguem tal ordem, resulta num entendimento totalmente inadequado das ideias do autor, como foram sendo desenvolvidas, ampliadas e até alteradas ao longo do tempo...

terça-feira, 24 de abril de 2012

Demografia histórica e história da historiografia

Há um crescimento significativo nos estudos demográficos, especialmente, sobre história da família na Europa, e, particularmente, na França. Contudo, essa perspectiva não tem sido seguida igualmente pelos estudos brasileiros, cujo norte sobre as questões culturais tem feito decair as análises demográficas sobre a história de nossa população. Como tem demonstrado os trabalhos publicados no Institut Nacional d'études démographiques (o INED), em Paris, França, é possível pensar articuladamente a dinâmica populacional com as questões políticas e econômicas e as relações culturais. Nesse aspecto, os vários trabalhos lançados pelo Instituto, em suas coleções, além de indicarem tal questão, tem proporcionado contribuições significativas para o estudo da história das populações. Tome-se o exemplo trazido com o trabalho de Alain Bideau e Sérgio Odilon Nadalin, que em Une communauté Allemande au Brésil: de l'immigration aux contacts culturels XIX-XX siècle, lançado no final de 2011, e cujos resultados são de pesquisa elaborada ao longo de três décadas, demonstra a dinâmica populacional de uma comunidade teuto-brasileira, desde o momento em que é fundada em Curitiba (estado do Paraná, no Brasil) em 1866, até meados dos anos 1970, quando houve uma significativa alteração nas relações do grupo, quanto aos seus índices de casamento, idade média dos noivos, número médio de filhos do casal, entre outras questões fundamentais, indicando-nos como análises econômico-sociais podem muito bem serem articuladas aos estudos culturais. Para chegarem a essas conclusões os autores efetuaram estudo pormenorizado das fontes censitárias da paróquia, como os registros de casamento e nascimento. Além disso, com base nos conceitos de coortes, ciclo vital, gerações e mutações, e pautando-se nos procedimentos metodológicos de Fernand Braudel, ao darem atenção sobre as temporalidades curta, média e longa, estes nos brindam também com um estudo muito bem fundamentado, que pode servir de base comparativa e metodológica para o empreendimento de outros estudos, especialmente, o de paróquias originadas pelos fluxos migratórios do final do século XIX. A referência completa do livro segue abaixo:

BIDEAU, A.; NADALIN, S. O. Une communauté Allemande au Brésil: de l'immigration aux contacts culturels XIX-XX siècle. Paris: Ined éditions, 2011.   



O único ponto a lamentar é a dificuldade de aquisição das obras, que não se encontram cadastradas em nenhum site das grandes livrarias, como a Cultura ou a Saraiva... 
   

segunda-feira, 23 de abril de 2012

História dos conceitos e historiografia

Acaba de ser publicado pela Editora Trotta, a tradução de outro livro de Reinhart Koselleck: Historias de conceptos: estudios sobre semantica y pragmatica del linguaje. O livro reune algumas das contribuições do autor, que com  Werner Conze (1910-1986) e Otto Brunner (1898-1982), elaboraram um dicionário de Conceitos Históricos Fundamentais. Léxico Histórico da Língua Política e Social na Alemanha (que, aliás, ainda não foi traduzido para o português), cobrindo, especialmente, o período de 1750 a 1850, no qual Koselleck dirá que será o momento em que se formaram as principais mudanças léxicas e conceituais que darão forma à modernidade. Além disso, o livro também reune outros textos dispersos, anteriormente publicados em revistas especializadas ou como capítulos de livros. A referência completa segue abaixo:

KOSELLECK, R. Historias de conceptos: estudios sobre semantica y pragmatica del linguaje. Madri: Trotta, 2012.

As trocas culturais no limiar do período moderno

Acaba de ser publicado o sétimo número da coleção História e historiografia da Editora Autêntica, de autoria de Serge Gruzinski: Que horas são... lá, no outro lado? América e Islã no limiar da época moderna. Que, aliás, aprofunda e prolonga as análises de seus últimos livros, especialmente: A passagem do século, 1480-1520, e Las cuatro partes del mundo (publicado em fins de 2010 pela Fondo). A referência completa do livro segue abaixo:

GRUZINSKI, S. Que horas são... lá, no outro lado? América e Islã no limiar da época moderna. Belo Horizonte/MG: Autêntica, 2012.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

OS CAMINHOS (DA ESCRITA) DA HISTÓRIA E OS DESCAMINHOS DE SEU ENSINO

Já se encontra em pré-lançamento, com previsão para estar impresso em maio, o livro: "OS CAMINHOS (DA ESCRITA) DA HISTÓRIA E OS DESCAMINHOS DE SEU ENSINO: a institucionalização do ensino universitário de História na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (1934-1968)", de Diogo da Silva Roiz, publicado pela Editora Appris. Segue abaixo resumo e índice do livro para o(a) leitor(a) interessado:

“Debruçar-se sobre o próprio ofício constitui um exercício exigente e por vezes árduo quando feito pelos historiadores e Diogo Roiz tem todos os méritos por ter construído há tempos uma trajetória significativa nessa direção. Com este trabalho sobre a trajetória da escrita da História e do seu ensino na (atual) Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP), o leitor é guiado em um percurso historiográfico de grande relevância e rica contribuição para a compreensão do regime de cátedras vigente na instituição entre 1934 e 1968”. (Teresa Maria Malatian, do Prólogo)

“A dissertação de mestrado de Diogo Roiz ampliada e revista, e agora publicada em livro [...] oferece uma contribuição de grande valia para esse debate. Focada no estudo do curso de Geografia e História na USP (e que, depois de 1955, se tornariam independentes), o trabalho apresenta uma reflexão interessante sobre a criação e o desenvolvimento do curso de História, especialmente, por meio da trajetória de seus professores e suas respectivas disciplinas”. (Marieta de Moraes Ferreira, da Apresentação)

“Diogo da Silva Roiz escreveu o presente livro a partir de sua Dissertação de Mestrado [...]. O tema proposto para a Dissertação, e que se ampliou consideravelmente no presente livro, é muito difícil, seja pela exiguidade de estudos sobre o tema, que àquela época se mostrava, e ainda hoje, se mostra plenamente, seja pela complexidade dos temas e subtemas que perpassam o universo da história do ensino superior de História, no Brasil e no mundo. [...] Recomendo a todos os interessados (que somos todos nós, afinal) a leitura atenta deste livro escrito por Diogo da Silva Roiz. Certamente encontrarão muitas respostas e respostas importantes a essa e a outras questões”. (Ivan Aparecido Manoel, do Prefácio).

"O leitor(a) encontrará neste livro um estudo pormenorizado do primeiro curso de Geografia e História, fundado em 1934, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (FFCL/USP), que seguiu aproximadamente aos preceitos do decreto de 1931, emitido por Francisco Campos, então Ministro da Educação e Saúde Pública. Nele, estuda-se desde a definição de um conjunto de regras que tornaram seu funcionamento minimamente operacional; seguindo-se de uma análise das transformações curriculares, do momento em que os cursos tiveram um funcionamento unificado, até o período em que vieram a se tornar independentes, em meados dos anos 1950; vindo a se debruçar sobre qual o tipo de ensino e pesquisa que então se ministrava no curso, para formar as primeiras gerações de historiadores e geógrafos profissionais no país, assim como de licenciados. Após ser efetuada esta interpretação, procura-se averiguar como alguns dos profissionais do curso vislumbraram a transição do autodidatismo para a profissionalização do trabalho intelectual de história, detendo-se nas trajetórias de Alfredo Ellis Júnior, Sérgio Buarque de Holanda e Eduardo d’Oliveira França, com o intuito de perscrutar quais caminhos propuseram para a escrita da história das civilizações em geral, e da civilização brasileira em particular. Ao mesmo tempo em que traça o panorama do funcionamento do curso, quanto dos fundamentos e tensões na escrita da história, praticados durante o período de vigência do regime de cátedras (entre 1934 e 1968), a pesquisa não deixa de lado indicar como nesse processo, as mulheres tentaram se inserir num mercado de trabalho, ainda fechado e contrário a sua presença, de tal modo que na própria universidade as escrituras da história então compostas as viam, quando muito, como uma pequena sombra a projetar as ações dos (“grandes” e “pequenos”) homens. Evidentemente, o próprio contexto contribuiria com essas escolhas, e as exclusões que se faziam no passado, também se reproduziam naquele presente histórico, de modo a perpetuar um tipo específico de divisão dos papéis masculinos e femininos na sociedade" (Da Introdução).

O livro está assim dividido:

Sumário:
Prólogo (Teresa Maria Malatian)
Apresentação (Marieta de Moraes Ferreira)
Prefácio (Ivan Aparecido Manoel)
Introdução e agradecimentos

Parte. 1: A estrutura curricular do curso de Geografia e História da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo entre 1934 e 1956

Capítulo – 1: Estrutura e funcionamento do regime de cátedras
Capítulo – 2: As transformações na estrutura curricular
Capítulo – 3:Características e dimensões do ensino e da pesquisa

Parte. 2: Escrita da história, civilizações e atores sociais

Capítulo – 4: Entre o ‘autodidatismo’ e a profissionalização do trabalho intelectual de História: o caso Alfredo Ellis Júnior (1938-1956)
Capítulo – 5: Sérgio Buarque de Holanda e a escrita de uma História da Civilização Brasileira (1956-1968)
Capítulo – 6: Eduardo D’Oliveira França e a escrita de uma História das Civilizações (1942-1968)

Epílogo
Apêndices
Fontes e Referências Bibliográficas

Para maiores informações ver:http://www.editoraappris.com.br/produto/3859006/Os-Caminhos-Da-Escrita-da-Historia-e-os-Descaminhos-de-Seu-Ensino

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Mais títulos interessantes publicados pela É Realizações

A Editora É Realizações segue publicando títulos fundamentais em filosofia, filosofia da história, história intelectual e historiografia. Entre os títulos que foram recentemente editados, destacam-se:

CARVALHO, T. Fé e razão na renascença: uma introdução ao conceito de Deus na obra filosófica de Marsílio Ficino. São Paulo: É Realizações, 2012.

DAWSON, C. Dinâmicas da história do mundo. São Paulo: É Realizações, 2010.

ELIOT, T. S. Notas para a definição de cultura. São Paulo: É Realizações, 2012.

HIMMELFARB, G. Os caminhos para a modernidade: os Iluminismos Britânico, Francês e Americano.São Paulo: É Realizações, 2011.

KEELEY, L. H. A guerra antes da civilização: o mito do bom selvagem. São Paulo: É Realizações, 2011.

KIRK, R. A era de T. S. Eliot: a imaginação moral do século XX. São Paulo: É Realizações, 2011.

SOWELL, T. Os intelectuais e a sociedade. São Paulo: É Realizações, 2011.

______. Conflito de visões: origens ideológicas das lutas políticas. São Paulo: É Realizações, 2012.

Vale a pena conferir...

Novos títulos em teoria e história da historiografia

Acaba de sair do forno mais três títulos interessantes em teoria e história da historiografia publicados pela Editora da Universidade Estadual de Londrina, no Paraná. As obras discutem desde a gênese da micro-história italiana, em comparação com abordagens similares praticadas na América Latina, mas cujo enfoque o autor do livro, Aguirre Rojas, procurará esmiuçar, ao demonstrar as peculiaridades de cada uma. Também há estudos de epistemologia da história bastante promissores no livro organizado por Gabriel Giannattasio e Rogério Ivano. E, por fim, um estudo dedicado ao imaginário da realeza feito por Marcos Antônio Lopes. As referências completas seguem abaixo:

AGUIRRE ROJAS, C. A. Micro-história italiana: modos de uso. Tradução de Jurandir Malerba. Londrina/PR: Editora da UEL, 2012.

GIANNTTASIO, G.; IVANO, R. (org.) Epistemologias da História: verdade, linguagem, realidade, interpretação e sentido na pós-modernidade. Londrina/PR: Editora da UEL, 2011.

LOPES, M. A. O imaginário da realeza: cultura política ao tempo do absolutismo. Londrina/PR: Editora da UEL, 2012.

Vale a pena conferir...

quinta-feira, 15 de março de 2012

O Centro de Documentação e Memória da UNESP

O Centro de Documentação e Memória da UNESP, o CEDEM, tem produzido um amplo trabalho de organização, coleta, armazenamento e sistematização de fontes para a pesquisa histórica, não só contribuindo com a preservação da memória coletiva da sociedade, mas também com a produção de análises e interpretações, por propiciar aos pesquisadores um amplo acesso a fontes primárias de difícil alcance até então. Além de primar pelo armazenamento das fontes sobre os movimentos sociais contemporâneos, ainda se encontram fontes sobre a esquerda brasileira, inclusive, debates efetuados na imprensa periódica, aos quais o Centro já possui um rico acervo.

Para maiores detalhes ver:http://www.cedem.unesp.br/#1,107

Dois títulos interessantes para o estudo da história e cultura africana e afro-brasileira

Acaba de ser publicado, pela Editora Unesp, dois títulos interessantes para o estudo da história e cultura africana e afro-brasileira, cujas referências completas seguem abaixo:

DRESCHER, S. Abolição: uma história da escravidão e do antiescravismo. São Paulo: Editora Unesp, 2011.

ISAIA, A. C.; MANOEL, I. A. Espiritismo e religiões afro-brasileiras. São Paulo: Editora Unesp, 2011.

Página:http://www.editoraunesp.com.br/

Fundação Gilberto Freyre

A Fundação Gilberto Freyre tem feito um trabalho exemplar. E agora dá continuidade a suas ações disponibilizando para um público mais amplo, um mapa do conjunto de materiais que constituem a instituição, na página abaixo:

ver: http://bvgf.fgf.org.br/

domingo, 4 de março de 2012

A ESCRITA HISTÓRICA E SUAS MÚLTIPLAS FACES

Acaba de ser publicado em livro o resultado dos trabalhos apresentados na XXVII Semana de História da Unesp, Campus de Assis. Os textos foram organizados por Karina Anhezini e Zélia Lopes da Silva no formato e-book. Há um conjunto diversificado de textos, encadeados entre as seções: práticas religiosas, dimensões da política, cultura e seus suportes, e História, Filosofia e Ciências Sociais.

O link para acessar o e-book é: http://www2.assis.unesp.br/#304,1429

quinta-feira, 1 de março de 2012

História do Pensamento Social Brasileiro

No começo dos anos 1990 houve uma extraordinária renovação e ampliação dos estudos sobre a história do pensamento político e social brasileiro, e que tem resultado não apenas novas investidas sobre autores canonizados ou não, na experimentação de teorias e metodologias, na criação de programas e linhas de pesquisa (nesta área) em programas de pós-graduação, mestrados e doutorados pelas Ciências Humanas, além de serem efetuadas revisões promissoras, inquéritos pertinentes e críticas eficazes a história e a historiografia sobre o pensamento político e social brasileiro. Na impossibilidade de elencar todos os títulos que foram publicados neste período, segue apenas uma lista incompleta, para que nossos leitores e leitoras possam verificar a riqueza do tema e a renovação do campo de estudos.

Alguns títulos:

ALONSO, A. Idéias em movimento. A geração 1870 na crise do Brasil-Império. São Paulo: Paz e Terra, 2002.

ANHEZINI, K. Um metódico à brasileira: a história da historiografia de Afonso de Taunay (1911-1939). São Paulo: Editora UNESP, 2011.

ARAUJO, R. B. Guerra e paz: Casa-grande & Senzala e a obra de Gilberto Freyre nos anos 30. 2ª Ed. São Paulo: Ed. 34, 2005.

ARRUDA, M. A. N.; GARCIA, S. G. Florestan Fernandes: mestre da sociologia moderna. Brasília: Paralelo 15; CAPES, 2003.

BASTOS, E. R.; RIDENTI, M. & ROLLAND, D. (org.) Intelectuais: sociedade e política, Brasil-França. São Paulo: Cortez, 2003.

BASTOS, E. R. Gilberto Freyre e o pensamento hispânico. Bauru/SP: Edusc, 2003.

____. As criaturas de Prometeu. Rio de Janeiro: Global, 2006.

BEIRED, J. L. B. Sob o signo da nova ordem. Intelectuais autoritários no Brasil e na Argentina (1914-1945). São Paulo: Edições Loyola, 1999.

BOMENY, H. Darcy Ribeiro: sociologia de um indisciplinado. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2001.

BOTELHO, A.; SCHWARCZ, L. M. (org.) Um enigma chamado Brasil: 29 intérpretes e um país. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

BRANDÃO, G. M. Linhagens do pensamento político brasileiro. São Paulo: Hucitec, 2007.

BRESCIANI, M. S. M. O charme da ciência e a sedução da objetividade: Oliveira Vianna entre intérpretes do Brasil. São Paulo: Ed. UNESP, 2005.

BURKE, P.; PALLARES-BURKE, M. L. G. Repensando os trópicos: um retrato intelectual de Gilberto Freyre. Tradução de Fernanda Veríssimo. São Paulo: Ed. UNESP, 2009.

CARVALHO, M. A. R. O quinto século: André Rebouças e a construção do Brasil. Rio de Janeiro: Revan, 1998.

CEVASCO, M. E.; OHATA, M. (org.) Um crítico na periferia do capitalismo: reflexões sobre a obra de Roberto Schwarz. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

CHALHOUB, S. Machado de Assis, historiador. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

CORREA, M. As ilusões da liberdade: a escola de Nina Rodrigues e a antropologia no Brasil. Bragança Paulista/SP: Ed. USF, 2000.

FERREIRA, A. C. A epopéia bandeirante. Letrados, instituições, invenção histórica (1870-1940). São Paulo: Edunesp, 2002.

FERREIRA, G. N. Centralização e descentralização no Império: o debate entre Tavares Bastos e visconde do Uruguai. São Paulo: Ed. 34, 1999.

FRANZINI, F. À sombra das palmeiras: a coleção Documentos Brasileiros e as transformações da historiografia nacional (1936-1959). Rio de Janeiro: Edições Casa de Rui Barbosa, 2010.

GALVÃO, W. N. Euclidiana: ensaios sobre Euclides da Cunha. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

GARCIA, S. G. Destino impar: sobre a formação de Florestan Fernandes. São Paulo: Ed. 34, 2002.

IANNI, O. Pensamento social no Brasil. Bauru/SP: Edusc, 2004.

IUMATTI, P. T. Caio Prado Jr.: uma trajetória intelectual. São Paulo: Brasiliense, 2007.

JACKSON, L. C. A tradição esquecida: Os parceiros do Rio Bonito e a sociologia de Antônio Candido. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2002.

LAHUERTA, M. Intelectuais e transição: entre a política e a profissão. São Paulo, 1999. Tese de doutorado em Ciência Política, FFLCH/USP, São Paulo.

LARRETA, E. R.; GIUCCI, G. Gilberto Freyre: uma biografia cultural. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.

LIMA, N. T. Um sertão chamado Brasil: intelectuais e representação geográfica da identidade nacional. Rio de Janeiro: Revan, 1999.

LUCA, T. R. A revista do Brasil: um diagnóstico para a (n)ação. São Paulo: Edunesp, 1999.

MALATIAN, T. M. Oliveira Lima e a construção da nacionalidade. Bauru – São Paulo: Edusc; FAPESP, 2001.

MARTINEZ, P. H. A dinâmica de um pensamento crítico: Caio Prado Jr. (1928-1935). São Paulo: Edusp, 2008.

MICELI, S. Intelectuais à brasileira. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

MIRANDA DE SÁ, D. Idéias sem fronteiras: da generalidade à especialização no pensamento intelectual no Brasil republicano (1895-1935). Tese de doutorado, UFRJ, 2003.

MONTEIRO, P. M.; EUGÊNIO, J. K. (org.) Sérgio Buarque de Holanda: perspectivas. Campinas/SP: Ed. Unicamp; UERJ, 2008.

MORAES, J. Q.; BASTOS, E. R. (org.) O pensamento de Oliveira Vianna. Campinas/SP: Ed. Unicamp, 1993.

NICODEMO, T. L. Urdidura do vivido: Visão do paraíso e a obra de Sérgio Buarque de Holanda nos anos 1950. São Paulo: Edusp, 2008.

NICOLAZZI, F. Um estilo de história: a viagem, a memória, o ensaio. Sobre Casa-grande & Senzala e a representação do passado. São Paulo: Editora UNESP, 2011.

OLIVEIRA, L. L. Americanos. Representações da identidade nacional no Brasil e nos EUA. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2000.

____. Interpretações sobre o Brasil. In: MICELI, S. (org.) O que ler na ciência social brasileira (1970-1995). 2ª Ed. São Paulo: Anpocs/Sumaré/Capes, 1999, p. 147-181.

ODÁLIA, N. As formas do mesmo. Ensaios sobre o pensamento historiográfico de Varnhagen e Oliveira Lima. São Paulo: Edunesp, 1997.

PALLARES-BURKE, M. L. G. Gilberto Freyre: um vitoriano nos trópicos. São Paulo: Ed. Unesp, 2005.

PRADO, M. E. (org.) O Estado como vocação: idéias e práticas políticas no Brasil oitocentista. Rio de Janeiro: Access, 1999.

PEIXOTO, F. A. Diálogos brasileiros. Uma análise da obra de Roger Bastide. São Paulo: Edusp, 2000.

PERRONE-MOISÉS, L. Vira e mexe, nacionalismo: paradoxos do nacionalismo literário. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

PIVA, L. G. Ladrilhadores e semeadores: a modernização brasileira no pensamento político de Oliveira Vianna, Sérgio Buarque de Holanda, Azevedo Amaral e Nestor Duarte (1920-1940). São Paulo: Ed. 34, 2000.

PONTES, H. Destinos mistos – os críticos do grupo Clima em São Paulo (1940-1968). São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

PULICI, C. Entre sociólogos: visões conflitivas da ‘condição de sociólogo’ na USP dos anos 1950-1960. São Paulo: Edusp, 2008.

RÊGO, R. M. L. Sentimento do Brasil: Caio Prado Jr. – continuidades e mudanças no desenvolvimento da sociedade brasileira. Campinas/SP: Ed. Unicamp, 2000.

REIS, J. C. As identidades do Brasil: de Varnhagen a FHC. Rio de Janeiro: FGV, 1999.

____. As identidades do Brasil 2. Rio de Janeiro: FGV, 2006.

RICUPERO, B. Sete lições sobre as interpretações do Brasil. São Paulo: Alameda, 2007.

____. Caio Prado Jr. e a nacionalização do marxismo no Brasil. São Paulo: Ed. 34, 2000.

____. O romantismo e a idéia de nação no Brasil (1830-1870). São Paulo: Martins Fontes, 2004.

SANTOS, R. Caio Prado Júnior na cultura política brasileira. Rio de Janeiro: Mauad, 2001.

SCHNEIDER, A. L. Sílvio Romero: hermeneuta do Brasil. São Paulo: Annablume, 2005.

SECCO, L. Caio Prado Júnior: o sentido da revolução. São Paulo: Boitempo, 2008.

SILVA, M. (org.) Nelson Werneck Sodré na historiografia brasileira. São Paulo: Edusc, 2001.

VELOZO, M.; MADEIRA, A. Leituras Brasileiras. Itinerários do pensamento social e na literatura. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

VENTURA, R. Estilo tropical: história intelectual e polêmica literária no Brasil (1870-1914). São Paulo: Companhia das Letras, 1991.

____. Euclides da Cunha: esboço biográfico. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

VIANNA, L. W. A revolução passiva: iberismo e americanismo no Brasil. Rio de Janeiro, 1999.

VILLAS BÔAS, G. Mudança provocada: passado e futuro no pensamento sociológico brasileiro. Rio de Janeiro: FGV, 2006.

____. A vocação das ciências sociais: um estudo de sua produção em livros do acervo da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 2007.

WEGNER, R. A conquista do oeste. A fronteira na obra de Sérgio Buarque de Holanda. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2000.

WEHLING, A. Estado, História, Memória: Varnhagen e a construção da identidade nacional. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Contrariando os cânones instituídos...

Contrariando, de certa forma, aos cânones instituídos pela história do pensamento social e político brasileiro, o estudo de Karina Anhezini de Araújo, que acaba de ser publicado pela Editora Unesp, Um metódico à brasileira, estuda a história da historiografia construída na obra de Afonso de Taunay, entre 1911 e 1939, e nos oferece uma bela contribuição para o estudo da temática. Além de analisar autor, de extensa obra, e, particularmente, conhecido por seus estudos sobre o bandeirante paulista e a história do café, mas, injustamente, deixado em segundo plano nos estudos históricos nacionais das últimas décadas, a sua pesquisa ainda formula um modelo interpretativo operacional, para o estudo de autores e suas respectivas obras, ao ter como base a obra de Michel de Certeau, A escrita da história (de 1975), que lhe cerceou instrumentos teórico-metodológicos promissores para pensar o lugar, a prática e a escrita, consignadas na "operação historiográfica", que a autora procurou perscrutar na obra de Afonso de Taunay. O livro teve como base sua tese de doutoramento defendida em 2006 na Unesp, Campus de Franca, sob a orientação da professora Teresa Maria Malatian, que já na época foi uma pesquisa primorosa, e, agora, aparece reformulada e ainda melhor. Ao percorrer os lugares que propiciaram a Taunay rever e/ou reformular suas práticas, dando-lhes um caráter mais profundo e operacional, e permitindo-lhe perpassar do auto-didatismo, que a formação de engenheiro civil lhe possibilitou, para o constante aperfeiçoamento do ofício de historiador, por meio de leituras, práticas, exercícios de escrita e o intenso contato com os letrados do período, em especial, Capistrano de Abreu, mestre de uma geração de historiadores, a autora nos mostra passo-a-passo como se configuraram os momentos que definiram a "operação historiográfica" deste autor, ao ser ela também o trilhar de uma prática. Neste caso, indica-nos como, a partir de 1911, Taunay iria definir preceitos teórico-metodológicos, forjando os fundamentos de sua escrita da história, ao se apoiar no manual de Langlois e Seignobos, Introdução aos estudos históricos de 1898. Ao nos mostrar como o autor manteve tais preceitos ao longo de sua trajetória de pesquisa, mas sem deixar de lado a historiografia nacional, com sua história dos costumes, a autora nos indica como e por que Taunay soube em sua época ser um metódico à brasileira. Além disso, num percurso simultâneo e articulado a esse primeiro, a autora vai detalhando como os lugares que este autor passou, como o IHGB, o IHGSP, o Museu Paulista, a ABL e no curso de História e Geografia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, em meados da década de 1930, lhes foram de fundamental importância para a coleta, organização e análise de fontes primárias. Com isso, ao cruzar as correspondências passivas e ativas deste autor, com o processo de produção de sua obra, em meio aos locais em que foi passando, ao longo de sua carreira, além de efetuar uma análise interna de sua obra, ainda pouco usual em nossa historiografia, esta consegue elaborar um modelo interpretativo pertinente e eficaz para perscrutar a trajetória de outros autores, sejam os canonizados ou não, em nossa historiografia, que embora altamente profissional e madura, ainda está permeada por imensas e não justificadas lacunas; que, aliás, estudos como esse, podem contribuir para a constituição de uma história da historiografia cada vez mais crítica em nosso meio.

Referência completa:

ANHEZINI, K. Um metódico à brasileira: a história da historiografia de Afonso de Taunay (1911-1939). São Paulo: Editora Unesp, 2011.

Vale a pena conferir este trabalho, que certamente virá a se tornar uma referência em nossa história da historiografia.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Livros importantes, mas infelizmente esquecidos em nosso mercado editorial II

Queremos agradecer aos colegas pelos comentários a esta postagem e, particularmente, ao Thiago Nicodemo, que recomendou a sua continuação, em função da quantidade de livros importantes esgotados há muito tempo em nosso mercado editorial, sem perspectiva de novas reedições (e sem, evidentemente, considerarmos a imensa massa de textos fundamentais, mas ainda não traduzidos no país). Segue então uma pequena continuidade, mas como a anterior também incompleta:

ADORNO, S. Os aprendizes do poder. O bacharelismo liberal na política brasileira. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.

BASSELAR, J. V. D. Introdução aos estudos históricos. São Paulo: Editora EPU, 1979.

BANN, S. As invenções da História: ensaios sobre a representação do passado. Tradução de Flávia Vilas Boas. São Paulo: Edunesp, 1994.

BERNARDO, J. Marx crítico de Marx. Epistemologia, classes sociais e tecnologia em O Capital (livro primeiro). Portugal: Ed. Afrontamento, 1977, 3v.

CARDOSO, I. A. R. A Universidade da comunhão paulista. O projeto de criação da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. USP, 1982.

CARDOSO, C. F. & MALERBA, J. (org.) Representações: contribuição a um debate transdisciplinar. Campinas: Papirus, 2000.

CARELLI, M. Culturas cruzadas. Intercâmbios culturais entre França e Brasil. Tradução de Nícia Adan Bonalti. Campinas – São Paulo: Papirus, 1994.

CHARTIER, R. A História Cultural: entre práticas e representações. Lisboa/Rio de Janeiro: Difel/Bertrand Brasil, 1990.

COLLINGWOOD, R. G. A ideia de história. 2ª Edição. Lisboa: Editorial Presença, 1989.

FALCON, F. J. C. & RODRIGUES, A. E. M. Tempos modernos: ensaios sobre história cultural. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.

FEBVRE, L. Combates pela História. 3ª edição. Lisboa: Editorial Presença, 1989.

FERRY, L. & RENAUT, A. Pensamento 68: ensaio sobre o anti-humanismo contemporâneo. Tradução de Roberto Markenson & Nelci do Nascimento Gonçalves. São Paulo: Ed. Ensaio, 1988.

FICO, C. & POLITO, R. A história no Brasil (1980-1989). Elementos para uma avaliação historiográfica (v.1). Ouro Preto: UFOP, 1992, 2v.

FURET, F. A oficina da História. Tradução de Adriano Duarte Rodrigues. Portugal: Gradiva, 1985.

GINZBURG, C. A micro-história e outros ensaios. RJ: Ed. Bertrand Brasil, 1991.

GLÉNISSON, J. Iniciação aos estudos históricos. 3ª Edição. Rio de Janeiro, Difel, 1983.

HARTOG, F. O espelho de Heródoto. Belo Horizonte/MG: Editora da UFMG, 1999.

HERMAN, A. A ideia de decadência na História Ocidental. Rio de Janeiro: Record, 1999.

IGLÉSIAS, F. Historiadores do Brasil. Capítulos de historiografia brasileira – Rio de Janeiro: Nova Fronteira; Belo Horizonte, MG: UFMG, IPEA, 2000.

LAPA, J. R. A. Historiografia brasileira contemporânea. A história em questão. 2a edição – Petrópolis – Rio de Janeiro: Vozes, 1981.

MALERBA, J. (org.) A velha história: teoria, metodologia e historiografia. São Paulo: Papirus, 1998.

MARROU, H. I. Sobre o conhecimento histórico. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.

MEIHY, J. C. S. B. A colônia Brasilianista. História oral de vida acadêmica. SP: Nova Stella, 1990.

MICELI, S. (org.) História das Ciências Sociais no Brasil. (v.1) São Paulo: Vértice, Editora Revista dos Tribunais: IDESP, 1989.

ODÁLIA, N. As formas do mesmo. Ensaios sobre o pensamento historiográfico de Varnhagen e Oliveira Vianna. São Paulo: Edunesp, 1997.

RICOEUR, P. O conflito das interpretações. Ensaios de hermenêutica. Tradução de Hilton Japiassu. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1984.

SCHWARTZMAN, S. Formação da comunidade científica no Brasil. SP/RJ: Cia Ed. Nacional/Financiadora de Estudos e Projetos, 1979.


Como tal, essa lista também é parcial e incompleta, e seria muito interessante continuar a receber comentários e sugestões de nossos(as) leitores(as) para irmos acrescentando mais títulos a essa lista de livros importantes, mas infelizmente esquecidos em nosso mercado editorial...